“Cuidado com o fanatismo político!”
“Não tenha ídolos políticos!”
Não me venha com discursos fáceis. Por mais que essas frases pareçam corretas e gritem um virtuosismo de quem as profere, esses tipos de jargões são ditos por figuras opacas e despolitizadas. Adoram subir no muro e rir de quem escolhe lado. Vangloriam-se de que “ninguém os representa”, o que na prática não os impede de votar em qualquer figura extremista na hora do “vamo vê”.
O projeto de despolitização, ou, da NÃO POLITIZAÇÃO do povo, gerou uma grande geração apolítica. Nem podemos chamar de despolitização, pois nos levaria ao pressuposto de que já fomos politizados algum dia. Basta ir às ruas, fazer algumas perguntas, e perceber que há uma falsa percepção de que todas as pessoas acompanham política. A internet é um criadouro de bolhas das mais diversas, que causa a percepção de que aquilo representa a realidade.
Não podemos julgar quem é alheio a tudo. Difícil pensarmos nas novas más decisões do congresso, quando não temos tempo nem para pensarmos em nós. O que mais seria a manutenção da escala 6×1, se não um projeto de despolitização? Colocar o povo para trabalhar, e não lhes dar tempo para pensar.
O que nos traz mais próximo a política, na minha opinião, são as pessoas. Lideranças. Há uma questão de esperança e objetividade ao ver um líder te representando e lutando por você. Às vezes a indignação precisa de orientação e de alguém que te mostre os porquês da sociedade, e como podemos melhorar.
Aqui, não quero falar necessariamente de líderes que tenham cargos políticos. Um líder político, não precisa ser um político de fato. Malcolm X nunca atuou em um cargo público, mas foi um líder extraordinário, influenciando gerações. Um cara negro e mulçumano, vivendo nos EUA segregado.
Os líderes têm uma percepção/intuição aguçada para situações e momentos da sociedade, e clareiam nossos caminhos quando surgem dúvidas, e, é claro, acabam te inspirando a continuar lutando e engajado com a sua causa. É importante enxergá-lo como um ser humano, para que possamos entender que nem sempre ele estará certo, e que podemos questioná-lo.
Há alguns dias, comecei a estudar Francês, e por acaso encontrei um canal no youtube de uma menina de Burkina Faso, que faz review de livros. Acabei me lembrando do presidente burquinense, Ibrahim Traoré, que me inspirou a escrever este texto. Um grande líder africano em ascensão, que nos mostra a importância de novas lideranças.
Além de Ibrahim, quem mais me chama atenção é Gustavo Petro, presidente da Colômbia. Sua postura perante ao fascismo no Brasil, seu pulso firme a favor da Palestina, seu modo de governo dialogando diretamente com o povo; tudo que esperamos e não temos de Lula (parece até que o barba acordou agora, mesmo que tardiamente). Pepe Mujica se foi; Lula já não é um garoto; Ibrahim está longe; e nos sobra o colombiano Petro. E aqui, o que será de nós?
Voltando a Ibrahim. Ele possui formação acadêmica, é inteligente, carismático, e possui apoio popular em seu país e em outros países africanos. Mais do que sua luta pela libertação de Burkina Faso do modelo imperialista, o que Ibrahim gera é esperança. São sementes plantadas para o futuro. Que ele gere novos líderes que possam se inspirar e seguir lutando a favor da causa africana.
Olhemos para o Brasil. Minha maior picuinha com Lula, é, além de não ter deixado um legado de politização do povo, é de não ter criado novas lideranças no campo progressista. Depois de tanto tempo como presidente, ele tinha a obrigação de deixar novos líderes. Não deixou, e talvez paguemos caro por isso.
Para não ficar só em desejos e reclamações, gostaria de apontar duas figuras jovens e inspiradoras que admiro e acompanho hoje no Brasil: Jones Manoel e Galo de Luta. Conhecem e vivem as mazelas brasileiras, são frutos disso. O próximo grande líder brasileiro, não pode ser pintado como representante do povo (chega de Boulos e Haddad), ele tem que, de forma concreta, fazer parte do povo.
Em 2026, teremos mais 4 anos de Lula, e depois? O que faremos?
É hora de abraçarmos novas lideranças.
Acredito que uma nova esquerda esteja surgindo. Se vamos ser de esquerda, que sejamos de verdade.
Menos Lula, mais Darcy Ribeiro.
